A noite em sua negritude
De lua fugidia
Faz brotar ao jardim onde avistam os meus olhos
As régias flores notívagas
Bebendo ao caldo a metamorfose
Dos astros
Servidas na esquina da rua
Onde caminhamos de passos
Tu e eu.
Nuvens densas, como a libélula
Salteando ventos e todos os beijos
Todos os beijos
( meus lábios também)
tatuaram tua boca de sedas e sangue
Teu perfume de ervas
E canto.
De meu amor a querer e mais
Os sonhos que habitaram,
Incólumes viajantes.
Imagens translúcidas
Projectadas sobre os dois travesseiros
Onde deitas
Na cama de madeira crua
As árvores em vida que já foram
E a nova estação de imagens se diluem
aos matinais clarões do amanhecer
Ficou da noite a sensação dos sonhos
Fica do dia ser amante dos teus sonhos.