A senhora duquesa, uma beleza antiga,
de bastão de faiança, de cabelo empoado,
certo dia, ao descer do seu estopim dourado
sentiu desapertar-se o fecho de uma liga.
Corou. Quis apertá-lo (ao que o pudor obriga).
Mas, voltou-se, olhou... Tinha o capelão ao lado.
Mais um passo e perdeu-se o laço desatado,
e rebentou na corte uma tremenda intriga.
Fizeram-se pregões. Marqueses, Condes, tudo
procurava, roçando os calções de veludo
por baixo dos sofás, de joelhos pelo chão...
E quando já ninguém mais esperava - que surpresa! -
Foi-se encontrar por fim a liga da duquesa
no livro de orações do padre capelão.
Pinturas de Armanda Passos, minha pintora preferida.
sábado, 5 de fevereiro de 2011
AMANHECEU
O dia amanheceu na janela,
O sol espiava curiosamente o teu corpo adormecido,
Na mesma luz contemplei o teu rosto que dormia em paz,
E uma ponta de sorriso emoldurava teus lábios.
Já era hora, eu precisava ir,
Num ultimo desejo pude sentir o cheiro do teu amor,
Aí tive ciúmes do sol.
Então cobri a tua nudez com um lindo lençol de linho branco e saí.
Saí cantarolando a vida,
Desejei um bom dia ao dia,
Eu era o mais feliz dos mortais.
O sol espiava curiosamente o teu corpo adormecido,
Na mesma luz contemplei o teu rosto que dormia em paz,
E uma ponta de sorriso emoldurava teus lábios.
Já era hora, eu precisava ir,
Num ultimo desejo pude sentir o cheiro do teu amor,
Aí tive ciúmes do sol.
Então cobri a tua nudez com um lindo lençol de linho branco e saí.
Saí cantarolando a vida,
Desejei um bom dia ao dia,
Eu era o mais feliz dos mortais.
SONHOS
A noite em sua negritude
De lua fugidia
Faz brotar ao jardim onde avistam os meus olhos
As régias flores notívagas
Bebendo ao caldo a metamorfose
Dos astros
Servidas na esquina da rua
Onde caminhamos de passos
Tu e eu.
Nuvens densas, como a libélula
Salteando ventos e todos os beijos
Todos os beijos
( meus lábios também)
tatuaram tua boca de sedas e sangue
Teu perfume de ervas
E canto.
De meu amor a querer e mais
Os sonhos que habitaram,
Incólumes viajantes.
Imagens translúcidas
Projectadas sobre os dois travesseiros
Onde deitas
Na cama de madeira crua
As árvores em vida que já foram
E a nova estação de imagens se diluem
aos matinais clarões do amanhecer
Ficou da noite a sensação dos sonhos
Fica do dia ser amante dos teus sonhos.
De lua fugidia
Faz brotar ao jardim onde avistam os meus olhos
As régias flores notívagas
Bebendo ao caldo a metamorfose
Dos astros
Servidas na esquina da rua
Onde caminhamos de passos
Tu e eu.
Nuvens densas, como a libélula
Salteando ventos e todos os beijos
Todos os beijos
( meus lábios também)
tatuaram tua boca de sedas e sangue
Teu perfume de ervas
E canto.
De meu amor a querer e mais
Os sonhos que habitaram,
Incólumes viajantes.
Imagens translúcidas
Projectadas sobre os dois travesseiros
Onde deitas
Na cama de madeira crua
As árvores em vida que já foram
E a nova estação de imagens se diluem
aos matinais clarões do amanhecer
Ficou da noite a sensação dos sonhos
Fica do dia ser amante dos teus sonhos.
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