Pinturas de Armanda Passos, minha pintora preferida.


segunda-feira, 8 de agosto de 2011

DE PROFUNDIS AMAMUS

Ontem às onze fumaste um cigarro
Encontrei-te sentado
Ficámos para perder todos os teus eléctricos
Os meus estavam perdidos por natureza própria.

Andámos dez quilómetros a pé
Ninguém nos viu passar
Excepto claro os porteiros
É da natureza das coisas
Ser-se visto pelos porteiros.
Olha
Como só tu sabes olhar
A rua, os costumes
O público
O vinco das tuas calças
Está cheio de frio
E há quatro mil pessoas interessadas
Nisso.

Não faz mal abracem-me
Os teus olhos
De extremo a extremo azuis
Vai ser assim durante muito tempo
Decorrerão muitos séculos antes de nós
Mas não te importes
Muito
Nós só temos a ver
Com o presente
Perfeito
Corsários de olhos de gato intransponível
Maravilhados, maravilhosos, únicos.
Nem pretérito nem futuro tem
O estranho verbo nosso.

O TERNO

O Manel comprou um terno
Às riscas , e de bom assento.
Uma vez que para casamento
Que se previa eterno,
Seu aspecto selava o contentamento.

O dia estava quente
E a boda maravilhosa!
E até a dona Rosa
Por hábito funesta e repelente
Parecia esplendorosa!!

Amigos, duas centenas achados
Galanteios e pancadinhas.
Lembro-me da dona Aninhas
Gabarolando os festejados
Profetizando suas criancinhas!


Mas com os anos passados
O Manel já não se ria
E mesmo com todos os cuidados
O terno já não lhe servia
Sofria!

Dona Rosa piorara
Do seu aspecto merdoso.
E até um amigo aconselhara
Deitar fora o jacoroso
Que em bom tempo tanto estimara!

Então lá se viu o rapaz
Mais solteiro e despojado.
Já não é o mesmo amado
Daquele dia fugaz
De terno bem alapado.

AMOR

Palavra tão pequena, mas de tanto Valor. Beleza interior nem sempre exteriorizada, de difícil definição, é um sentimento inexplicável.
Dor abrasiva ferozmente emotiva, sentida pelos corações… Sentimento celestial, reflectido na alma dos mortais.
Eterno ou não…Atingindo o seu auge na forma de paixão, por vezes se torna doentio.
De fácil transformação aquando ferido, o amor é dor: mortífera, aguda e dilacerante. Oceano gravado, nos olhos dos amados. Lágrimas que desaguam no sorriso de uns lábios.
Partilha de sonhos e conquistas nem sempre triunfais. Sentimento infinito, gravado por espetos de rosas brancas nos corações imortais.
Dávida divina de inacessível definição traduzida em gestos e carinhos, reflectidos no sincero companheirismo entre Seres.
O verdadeiro é ingénuo o mais puro e sublime de todos os sentimentos humanos. Emanado por cheiro a jasmim o amor é inocente, cristalino e transparente.
Sentimento profundo e crescente, necessitado de cultivo para se manter em chama sempre ardente.
O Amor é a verdadeira Essência da vida: Amar, Saber amar, e Ser amado.