Pinturas de Armanda Passos, minha pintora preferida.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Responsabilidade Civil e Criminal

A responsabilidade dos políticos rege-se apenas do ponto de vista criminal ou também do ponto de vista civil? Eis uma questão tremendamente importante. Para alguns, e apontando a Constituição, os políticos apenas podem ser julgados do ponto de vista criminal, uma vez que o seu verdadeiro julgamento estaria sempre nas próximas eleições. Quem não gostasse ou aceitasse o seu trabalho votaria contra. Outros , como aconteceu recentemente na Islândia, pensam que nas sua decisões existe intrinsecamente responsabilidade civil para além da criminal, como acontece a qualquer outro funcionário público. Se um médico ou enfermeiro ou advogado ou qualquer outro trabalhador nas sua funções públicas tomar alguma atitude que lese o Estado, é responsabilizado com processo disciplinar e sujeito às penas constantes da lei. Não é justo nem responsável que alguém, eleito ou não, tome decisões ao seu arbítrio e posteriormente saia por uma porta ainda mais larga, olhando para trás deixando a pasta encima da mesa. Como podemos ter Ministros das Finanças, todos eles Professores Universitários nas melhores Escolas do País, alguns de mérito reconhecido no estrangeiro, que foram responsáveis pela situação que o País agora se encontra? Não sabiam eles o que estavam a fazer? Das reais consequências da não tomada atempada de medidas? Então porque não as tomaram? Por incompetência? Não, claro que não. Por frete político da altura! Vem-me à memória aqui há uns anos, em Évora, na Unidade de Diálise a morte de alguns doentes por deficiência dos filtros dos aparelhos de diálise que permitiram que o excesso de alumínio fosse letal para esses doentes. O médico responsável pela Unidade, nessa altura conivente com a Administração que não estava virada para o gasto atempado da despesa adequada ao problema, embora pessoa competente e experiente, foi condenado em Tribunal por má prática e com responsabilidade na morte involuntária dos ditos utentes! E muito bem! Foi conivente e pagou por isso. Na política é-se conivente e quando se sai ainda se arranja um emprego melhor! Por isto, deviam efectivamente ter de prestar contas quando alguém de direito em representação do povo, os confrontasse. Como não têm que dar contas a ninguém nem estão nisso interessados, acabamos todos com o FMI à porta, estes sim nem precisando de saber de quem foi na realidade a responsabilidade, querendo apenas saber a forma como se paga!

Margarida

Com nove letras maravilha
Contemplo a exaltação do poeta.
Colocou-as lá sem cedilha,
Transformou-as na flor predilecta.
O nome de minha filha !

O meu jardim é na verdade
O renegar da saudade.
Ditosa flor !
Que com seu perfume e amor
Me faz procurar a eternidade.

Mas esta flor não é vulgar
Nessas estradas e caminhos
Pois chora, brinca e ri ;
E a saltitar,
Por entre giestas e azevinhos
Parece mesmo enfeitiçar
Reivindicando de pronto seus carinhos!

Minha flor é permanentemente florida
De súbito glorificada
Profundamente amada
No meu horto contemplada.
Curtida!
Lembrada.

Que o tempo sempre a conserve
Ditosa e sempre bela.
Branca e amarela!
E que Deus a preserve
Neste jardim de todos nós.
Para vós!


Exsutate jubilate
Evasão do tempo ao madrugar
Por tuas pétalas poder tratar.
Adorar
E sempre te contemplar.

E por vezes as noites duram meses

E por vezes as noites duram meses
E por vezes os meses oceanos
E por vezes os braços que apertamos
nunca mais são os mesmos E por vezes

encontramos de nós em poucos meses
o que a noite nos fez em muitos anos
E por vezes fingimos que lembramos
E por vezes lembramos que por vezes

ao tomarmos o gosto aos oceanos
só o sarro das noites não dos meses
lá no fundo dos copos encontramos

E por vezes sorrimos ou choramos
E por vezes por vezes ah por vezes
num segundo se envolam tantos anos.