Pinturas de Armanda Passos, minha pintora preferida.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O APRENDIZ DE CARNICEIRO

Saiu em tudo que são noticias em todo o Mundo, a prisão de Ratko Mladic, ex chefe militar dos Sérvios da Bósnia, acusado de genocídio, crimes de guerra contra a humanidade durante a guerra da Bósnia ( 1992-95), pelo Tribunal Penal Internacional para a ex-Jugoslávia. No Curriculum apresenta 15 acusações de genocídio, extermínio, assassinatos, e deportações. Foragido desde 1995, Mladic de 68 anos, é considerado o maior obreiro da estratégia de limpeza étnica em algumas regiões da Bósnia, juntamente com o ex-presidente Karadzic, preso em 2008. Segundo a acusação teriam o plano de expulsar croatas e muçulmanos da Bósnia e assim incorporá-las na Grande Sérvia.

Baseando-se na máxima de que “ as fronteiras sempre foram traçadas com sangue e os Estados são delimitados com tumbas”, o general permaneceu impassível e impiedoso no cerco de Sarajevo durante 3 longos anos, onde morreram 10.000 civis ( entre 1992-95 ) em consequência de disparos de morteiros ou vítimas de franco-atiradores. Em Julho de 1995, as suas tropas apoderaram-se do enclave de Srebrenica, que teoricamente estava sob protecção da ONU, massacrando 8.000 muçulmanos desarmados – As forças Servias bombardearam Srebrenica durante 5 dias, e após estes bombardeamentos as forças terrestres de Mladic entraram na cidade e levaram mulheres e crianças em vários autocarros para território muçulmano, enquanto militares separavam os rapazes e homens entre os 12-77 anos para interrogatórios. Claro que os interrogatórios acabavam em grupos de 200 ou 300 homens, que passavam algum tempo a abrirem valas, regressando em seguida ao grupo de origem. Ao comando militar e em silencio, sem qualquer alvoroço e parecendo perceber que afinal o seu destino estava traçado, crianças e adultos, avós e netos eram fuzilados em frente das valas numa rotina impiedosa até ela ser considerada cheia, e assim sucessivamente até fazerem 8000 mortos em 5 dias. Ainda sequestrou 200 soldados da ONU que foram mantidos em lugares “ estratégicos “ para evitarem os bombardeamentos nesses locais. Também outra acusação está relacionada com a criação de campos de detidos em “ condições horríveis e desumanas de milhares de civis croatas e Muçulmanos da Bósnia “, que morreram em condições que a Procuradoria considera ter características de genocídio.

Pois bem, são estas as acusações contra o rapaz. Mas como em tudo , alguma verdade está também camuflada, e que ajuda a compreender o porquê de em plena Europa, tais acontecimentos terem ocorrido. O mais horrível de tudo é que uma das motivações mais importantes era realmente interromper a escalada muçulmana na Europa e no que tudo isso significa de mudança radical, social e religiosa, no mundo Ocidental. Sim , no fundo não era apenas uma questão de território ou de velhos ódios raciais, mas evitar a entrada e “ disseminação “ daquele grupo étnico para a Sérvia e em último caso para a Europa.

Repare o leitor que muito recentemente em França, no último Censo sob a presidência de Sarkosy resultam 3,5 milhões de pessoas que poderiam ser consideradas muçulmanas (de fé ou de cultura). Nesta estatística, não foram considerados os sans papiers ou imigrantes clandestinos, originários dos países muçulmanos e os franceses convertidos ao Islão. Sabemos que a população Francesa é neste momento perto de 65 milhões, donde os muçulmanos representam 5% da população residente. Mas o que os estudos populacionais também mostram é que os Franceses têm em média 1.4 filhos por casal, enquanto os muçulmanos tem 6 a 10 filhos, o que a médio prazo vai fazer subir consideravelmente os 5% de Argelinos, Tunisinos, etc. Por isso há quem se perturbe com a mudança do ponto de vista social e religioso que isto poderá ocasionar, e a considerar este tipo de situação como indesejável, e até como uma praga. Não se é Xenófobo ou Racista por acaso, ou simplesmente por não se gostar da cara de alguém.
Aqui o que temos de compreender é que bem juntinho de nós, enquanto nós trabalhávamos e os nossos filhos estavam na escola, isto que parecia impossível e completamente irracional de acontecer na nossa Europa após a praga Hitleriana, estava realmente acontecendo, com o marasmo de grande parte dos países acabrunhados e medrosos, apenas querendo aparecer na fotografia no meio de jipes e capacetes azuis. Afinal a chacina daqueles povos não era nada connosco! O dever de lamentar e de noticiar sim, e tal como Pilatos aquilo não nos dizia respeito e portanto “ lesser faire, lesser passé”!! Afinal Os Estados Unidos estão bem longe, e este problema se não é deles, muito menos é nosso.

A historia repete-se, primeiro como tragédia, a segunda como farsa ( Karl Marx ).
No fim de contas há coisas bem piores: Adolfo Hitler ( 6 milhões de judeus e outras etnias de 1939-1945 ); Holodomor ( 2,6-10 milhões - é o nome atribuído à fome de carácter genocidário, que devastou principalmente o território da República Socialista Soviética da Ucrânia (integrada na URSS), durante os anos de 1932 - 1933. Como tal, é por vezes designado de "Genocídio Ucraniano" ou "Holocausto Ucraniano", significando que essa tragédia seria resultante de uma acção deliberada de extermínio, desencadeada pelo regime soviético, visando especificamente o povo ucraniano, enquanto entidade socio-étnica; Pol-Pot e os Kmeres Vermelhos( Camboja 1975-1979 – 2 milhões que representavam 25% da população do País) ; Ruanda ( 1994 – 800.000 ) e finalmente Dahfur ( 2003 – 400.000 ).

Por isso, vendo bem a coisa, Ratko Mladic não passava de um aprendiz de carniceiro.

COISAS...

Vem o Clídio se queixando
Que a velhice o trata abaixo de cão
E tem razão,
Pois eu em minha observação
Vi que ele não estava delirando
Mas a falar com o coração.

Vem o Letras improvisando
Doença, que é sua satisfação.
Mas em sua inquietação
Eu topo angústia e consternação;
E me deixa pensando
Quem de nós terá razão ?

No meio do lameirão
Há quem se queixe por inteiro
E há quem se queixe à prestação.
Seja doutor ou engenheiro
Todos seguem seu condão
Todos reservam sua condição.

Para surpresa geral e pasmo de admiração
O coxo começou a andar.
O deficiente encontrou a razão.
Qual remédio salutar
Alterou a situação
Que parecia para sempre perdurar?

Onde está essa poção maravilhosa
Que nos cegos pôs visão
Ou nos mudos palavrão?
Onde está o boticário da imaginação ?
Dono dessa pílula famosa
Amante da contradição!!

Carinho !!
Não se encontra em blister ou infusão.
Mas ninguém me tira a impressão
Que tal como um passarinho
Faz milagres em quem poisa.
Coisas!!!

INVENTÁRIO

Um dente d'ouro a rir dos panfletos
Um marido afinal ignorante
Dois corvos mesmo muito pretos
Um polícia que diz que garante


A costureira muito desgraçada
Uma máquina infernal de fazer fumo
Um professor que não sabe quase nada
Um colossalmente bom aluno


Um revolver já desiludido
Uma criança doida de alegria
Um imenso tempo perdido
Um adepto da simetria


Um conde que cora ao ser condecorado
Um homem que ri de tristeza
Um amante perdido encontrado
Um gafanhoto chamado surpresa


O desertor cantando no coreto
Um malandrão que vem pé-ante-pé
Um senhor vestidíssimo de preto
Um organista que perde a fé


Um sujeito enganando os amorosos
Um cachimbo cantando a marselhesa
Dois detidos de fato perigosos
Um instantinho de beleza


Um octogenário divertido
Um menino coleccionando estampas
Um congressista que diz Eu não prossigo
Uma velha que morre a páginas tantas

SE EU FOSSE...

Se eu fosse um Pássaro
Voava para a beira mar
Gaivota talvez… porque não???
Dos céus poderia te observar…
Se eu fosse o Sol
Aquecia-te com o meu calor
Iluminando os teus dias,
Sentirias o meu Amor…
Se eu fosse a chuva
A tua sede mataria
Gota a gota, molhava teu corpo
Eu sei; mas quem sabe… talvez um dia???
Se eu fosse a Lua
Nos teus sonhos iria entrar
E com a minha luz triste
Pedia-te… para Acreditar…
Se eu fosse um Rio
O teu caminho iria seguir
Trilho a trilho… até às ondas
E depois levar-te a fugir!
Se eu fosse uma Estrela
A tua vida iria iluminar
Perdida na noite
À terra buscar-te… levar-te comigo… vem sonhar!
Mas eu não sou nada…
Apenas uma eterna Apaixonada…
Triste… feliz… ou mesmo desorientada…
Sem Rumo… sem caminho… ou sem orientação…
Mas com memórias de uma tal alucinação…
Espírito Maligno… levaste-me à paixão…

O ESTRANGEIRO

Dia de festa
Sol dourado, janelas floridas
Santa padroeira no andor, fogos , casamentos.
Crianças, moços e velhos, caboclos simples da ribeira
Cantos sagrados, ladainhas. Segue a procissão.
O Homem
Jovem, alto, bonito, branco.
Cabelos castanhos ondulados, olhos azuis
Chapéu panamá, botinas lustrosas
Vestia terno de linho, uma brancura só.
Perfume de alfazema.
O Homem
Em tudo diferente dos dali
Largou da procissão
Cruzou a rua, passos largos
Entrou na bodega do Militão
Tomou da branca, pigarreou
Saiu, tomou a direção do rio
Cinquenta metros do Largo da Matriz.
Desceu as escadas do cais, passos largos
Caminhou rio adentro
O terno branco tingiu-se de terracota
Tempo de cheias, águas barrentas
O homem continuou indo, indo
A santa da procissão parou para olhar
O homem indo, indo, sumindo, sumiu.
Tempo de cheias, águas caudalosas.
Um chapéu panamá, branquinho
Boiava rápido, rápido, longe, longe
Arrastado pela correnteza.